Autora: Luiza de Castro
Editora: Chiado
Número de páginas: 41
Classificação: 
Onde comprar: Chiado


      Olá pessoal! Mais uma resenha hoje e dessa vez da nossa parceira Luiza de Castro! Após a resenha nossa querida parceira respondeu algumas perguntinhas super legais, não deixem de conferir! 

   Castelos de Areia é um livro super fininho, mas com assuntos muito importantes. A diagramação dele é bem confortável e as páginas são amareladas. É uma escrita muito poética e rápida de ser feita, dá pra ser lido em apenas uma hora.

      Neste livro acompanhamos a história de Júlio, desde sua infância até sua vida adulta. Um garoto que já sofria bastante pela falta do pai, que abandonou sua mãe e esta teve que cria-lo sozinha, mesmo sem saber muito bem como fazer isso. Mas, infelizmente, a mãe de Júlio vem a falecer quando ele é apenas uma criança. Júlio então, cresce com muita tristeza e se torna um adolescente revoltado com a vida e cometendo muitos erros. Parece se esquecer do que é amor e leva uma vida desregrada.



      A escrita da Luiza é muito bonita e em poucas páginas ela conseguiu transmitir a vida inteira de um garoto que já havia sofrido o abandono do pai e ainda por cima deve passar pelo luto da mãe. As decisões que ele toma tornariam qualquer livro pesado, mas a escrita da Luiza é tão bonita e poética que nos faz compreender melhor a vida e os sentimentos de Júlio.





       Se você procura uma leitura rápida, poética e que trata de temas importantes, este livro é super indicado para você!


1. Como surgiu a vontade de escrever um livro?
      Ainda na adolescência. Mas minha atração pelo texto surgiu já na infância. Lembro das redações escolares que eu fazia. Várias delas foram selecionadas e publicadas em “A Tribuninha”, suplemento infantil de “A Tribuna”, jornal conhecido e tradicional na Baixada Santista e em minha cidade natal, Santos, no litoral de São Paulo.
      Com a adolescência, desenvolvi uma paixão irremediável por Érico Veríssimo, Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles... Aí, nessa época, eu li “Capitães de Areia”, de Jorge Amado: foi marcante demais para mim a força daquelas palavras! Sob o impacto dessa leitura veio a certeza de que eu ainda escreveria meu próprio livro.


2. Qual foi sua inspiração para escrever sobre isso e de forma tão poética?
      Ter um personagem central que durante a maior parte da narrativa está vivendo a adolescência talvez guarde semelhança com o perfil dos personagens principais de “Capitães de Areia”, embora as temáticas tratadas nas duas obras sejam bem diferentes.
      Quanto à forma poética, isso tem a ver com a minha personalidade, que ama e “transpira” poesia: sem perceber acabo vendo e colocando poesia em (quase) tudo! rsrsrs...

3. Qual mensagem você quis transmitir com o seu livro?
      Júlio, o personagem central, é uma pessoa inteligente. Ele analisa os fatos de sua vida prioritariamente pelos aspectos da força, da inteligência, do poder. Ele racionaliza tudo. Mas pessoas inteligentes quando equivocadas são capazes de se convencer ferrenhamente de seus equívocos. E é assim que, por decisão própria, Júlio deixa de lado o que envolva sensibilidade, sentimento, amor. Entretanto, este “trio” encontra soluções que só a inteligência não é capaz de encontrar.
        Júlio tem sérios problemas de relacionamento. Ora, todo relacionamento envolve você e o outro, isto é, toda relação é um encontro. Por isso grande parte dos relacionamentos são difíceis, sejam eles de que natureza forem: nós jamais seremos capazes de compreender o outro inteiramente, e ele a nós, mas isso não impede que tenhamos encontros profundos em nossos relacionamentos, mesmo sem um entendimento completo das razões do outro.
Como isso acontece e por que? Acontece se existe AMOR. Isto porque o AMOR por si só É UMA LINGUAGEM. Aliás, O AMOR É A GRANDE LINGUAGEM. Por isso O AMOR É IRRESISTÍVEL: É A VOZ INARTICULADA DO AMOR! Essa é a mensagem central de “Castelos de Areia”.

4. Pensa em escrever sobre outros temas?
       Sim, é claro! E já tenho algumas ideias “no forno”...

5. Qual música você acha que combinaria como “trilha sonora” do livro?
      Júlio é um admirador da cultura Hip Hop em suas múltiplas manifestações: a dança, o grafitti e o rap, é claro!
      Acho que “Qual é?”, de Marcelo D2, reflete bem a “marra” dele. rsrsrs... “Minha alma (a paz que eu não quero)”, de O Rappa, mostra seu lado analítico e contestador. Já “Fé na luta”, de Gabriel, o Pensador, marca sua nova postura a partir de certo momento da história. Na verdade, não é uma música, mas uma tríade.

6. Quanto tempo demorou para escrever seu livro? E como você fez para divulgá-lo?
      O processo de escrita foi até bem rápido, cerca de uns dois meses.
      Já lenta foi a decisão de colocar em prática aquele desejo da adolescência! Protelei muito. Adiei. Sei lá... Talvez o receio de tornar público um universo tão pessoal, tão “meu”... Porque escrever é um desnudar-se. É uma revelação. E uma história depois de escrita já não pertence mais somente aquele que a escreveu: entre o que eu penso e escrevo, e o que o outro lê, pensa e reflete, há toda uma leitura de mundo, de parte a parte. Ou seja, cada um de nós é um universo em si e desse cruzamento de universos pessoais que a leitura promove surge a magia que envolve cada história...
      Quanto à divulgação, vai desde o “trabalho de formiguinha”, do “boca a boca”, até a internet, pois a rede social é um espaço democrático para expressar a liberdade criativa dos novos autores. Tenho uma página no Facebook em que não somente divulgo “Castelos de Areia”, mas também posto outras produções minhas. É um canal muito interessante tanto para divulgação quanto para interação com os leitores.


7. Qual foi seu maior desafio ao escrever essa história?
      Não classifico como um desafio e sim como a coragem em fazer um convite. Explico: “Castelos de Areia” conta a história de Júlio. Seus desajustes e todo seu universo estão por detrás das letras de rap que ele escreve. Elas são sua forma de expressar reflexões.
No entanto às vezes pode causar certa estranheza: músicas nas páginas de um livro? E aí eu respondo: Sim! Pois esse é o convite: cada leitor vai dar a elas o SEU ritmo interno e ÚNICO, de acordo com suas vivências e expectativas pessoais.

8. Qual foi a sua inspiração para levá-la até o fim?
       A trajetória de Júlio tem um pouco da trajetória de todos nós, não importa nossa idade. Ela fala da caminhada que se faz na procura de um sentido maior para nossa existência e nossas dificuldades, mostra a busca de nosso valor e de nossa importância dentro de um universo imenso e de um ambiente que muitas vezes nos parece hostil e indiferente.

9. Como foi o processo de escrita?
      Curiosamente, primeiro escrevi toda a narrativa e só depois as letras de rap, que foram “vindo à mente” fora de ordem. Logo após “enxertei” as composições na obra. Escritos em separados, a narrativa e as letras de música de Júlio se encaixaram.

10. Deixe uma dica para novos escritores.
      A caminhada não é fácil! Os resultados vêm. Contudo eles chegam passo a passo. Por isso, é preciso ter em mente a necessidade de controlar INTENSIDADE e DIREÇÃO.
Afobação apenas alimenta o desânimo! Controlando a intensidade da ansiedade e direcionando esse vigor para a persistência, ela torna-se força, coragem e capacidade de ação.
       A energia é a mesma. Percebe? Administra-se a “dose” e o foco. E o que é capaz disso? O AMOR.
      Aquele que ama aquilo que faz... Sempre fará aquilo que ama. SEMPRE!


      A todos que acompanharem esta entrevista abraço carinhosamente,
      Luiza de Castro




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